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No interior do que não me lembro: Capítulo I — A Casa 32
Quando cheguei, naquela manhã, percebi que este era o sítio certo para mim. Em todas as casas, iguais, os estores para baixo, as portadas cerradas. Os dois únicos cafés que existiam estavam fechados, as cadeiras das esplanadas empilhadas umas nas outras. Naquele aldeamento turístico, onde as vivendas são todas iguais e as ruas são todas… — ler tudo
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morro
Tenho tanto para te dizer Eu estou a caminhar no Sítio, na Nazaré, em direcção ao farol, no Forte de São Miguel. Estou sozinho mas existem mais pessoas a caminhar estrada abaixo, no mesmo sentido. À minha esquerda, um pouco mais à frente, as terras começam a deslizar e a ser engolidas pelo mar. Existem… — ler tudo
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O dia em que a paisagem caiu
Agora, com um pouco mais de tempo, deixem-me relatar aqui o que vi na quarta-feira, às 8 horas da manhã, quando me desloquei da Nazaré para Leiria. No dia anterior, terça-feira, tinha combinado com uma amiga dar-lhe boleia até ao Hospital São Francisco, em Leiria. O pior da tempestade tinha terminado por volta das 6… — ler tudo
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Sem ondas
As máquinas pesadas ainda estavam a sair do porto de abrigo, no seu passo lento, quando eu finalmente percebi o que tinha acontecido. Eram máquinas com pneus maiores do que a altura de três homens, uns em cima dos outros. Vi-as desaparecerem para sul, num comboio lento e ruidoso. Quando voltei a olhar para o… — ler tudo
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Roubar marmelos ao Laborinho Lúcio
– O avô distrai o homem e tu vens por aqui, baixas-te ali naquele muro e depois quando me ouvires a falar com ele, saltas o muro e tiras três maçarocas. Isto era o meu avô a dar-me instruções sobre como roubar maçarocas de milho ao senhor Alfredo. O senhor Alfredo tinha uma pequena plantação… — ler tudo
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Avó, tira-o, por favor.
Avó, apressa-te. Consegues ouvir o barulho que vem lá de longe? Consegues ver lá ao fundo um movimento cada vez mais definido?— Ouvem-se os gritos lá fora de gente com muita raiva.Sim, avó, é uma turba de gente que se movimenta até nós. Já se consegue ver um mancha de gente que continua a adensar-se.… — ler tudo
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Deixaste-te enganar
Oh, minha querida e triste Nazaré. Deixaste-te enganar, meu amor. Eu sei, meu amor. Quiseste fechar os olhos a todo o horror. A verdade era tão pesada, não era? Tão negra, não era? Tão escura. Não tem mal, Nazaré. Não me olhes com essas lágrimas de tanto mar. Eu percebo-te. Percebo-te tão bem. Quantas vezes… — ler tudo